Stories on 2 wheels Marrocos 2023

porto de Algeciras


2023 - Marrocos

texto por: Nuno Carvalho

Há muito tempo que pensava como seria viajar de moto até ao continente Africano e desbravar as estradas e pistas de Marrocos no entanto até agora nunca tinha sido possível ora por questões financeiras ora por falta de tempo.
A incursão por Marrocos, pelo menos para mim, impunha algum respeito, não seria bem como ir aqui ao lado a Espanha. Assim sendo a única opção que achava viável seria integrar um dos muitos grupos que vão regularmente para Sul. Contactei alguns Organizadores e cheguei a conclusão que ora não me conseguia enquadrar nas datas pre-marcadas ou o orçamento não chegava. Em 2021 fiz um passeio a Espanha organizado Por um tipo porreiro que correu bem. como tinha ficado com o contacto dele lembrei-me de lhe perguntar se estava disponível para ir comigo e com o Ricardo a Marrocos. A resposta Foi afirmativa apresentou um budget que se encaixava e tinha disponibilidade para as datas que nos convinham.
O Luis já tinha estado em Marrocos algumas vezes pelo que inspirava confiança, encarregou-se de marcar e organizar tudo o necessário para a nossa viagem.

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Marrocos 2023 - entre amigos

Dia 1 - No dia marcado depois do almoço encontramo-nos no ponto combinado e la rumamos em direção a Algeciras. Sempre em Autoestrada pois o tempo estava contado e afinal de contas o objetivo era fazer um tour por Marrocos e não por Espanha.
O Luis tinha marcado barco para o dia seguinte logo pela fresca pelo que dormimos em Algeciras.
Já chegamos tarde e acabamos por comer algo mesmo no Hotel.

Dia 2 - Saímos do hotel pelas 07 da manha em. direção ao porto de Algeciras onde nos aguardava o ferry que nos levaria ao Reino de Marrocos. Lamentavelmente o ferry não estava lá, esperamos e desesperamos durante mais de 2 horas ate a chegada do nosso “uber”.
Do outro Lado do “lago” esperava-nos uma nova aventura.
Desembarcamos sem sobressaltos, passamos pelos controlos fronteiriços e entramos em Marrocos. Ainda dentro do porto foi tempo para um pequeno “pit stop” para trocar dinheiro e comprar um cartão sim com dados para podermos usar o whatsapp e estar em contacto com a família e amigos.
Avançamos sem medos mas com algum nervosismo atrás do Luis em direção a Chefchaoene a lendária vila azul no entanto e graças ao atraso monumental do ferry estávamos agora muito atrasados em relação ao planeamento. Iríamos pernoitar em Fez que ficava ainda a uma distancia considerável e se queríamos chegar antes de anoitecer não podíamos parar para apreciar as pitorescas casas pintadas de azul…enfim fica para uma Outra vez.
Nos arredores de Fez aguardava-nos Um hotel top com parque privativo para as motos (sem importante independente do destino). O jantar mais uma vez seria no hotel, o dono era muito simpatico e presenteou-nos com um repasto tradicional composto por salada Marroquina (“AKA” Salada montanheira no Algarve) e uma Tajine (prato tradicional de Marrocos).
Apesar de Marrocos Ser um pais muçulmano E ser proibida a venda E o consumo de. bebidas alcoólicas ha algumas exceções e neste caso tivemos Direito a. acompanhar a refeição com umas jolas fresquinhas.

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Marrocos 2023 - arredores de Fez



Dia 3 - Dormi mal não sei Se da excitação, se da cama ou do Ricardo e do Luis a roncarem alternadamente… sai cedo ainda os meus companheiros de viagem estavam a dormir para dar um passeio a pé pelas redondezas. A Paisagem essa não era muito diferente do nosso Alentejo, andei uns bons 2 ou 3 km e voltei para o Hotel onde o Luis e o Ricardo me esperavam já prontos para tomar o pequeno almoço.
Equipados a rigor e de barriga composta seguimos viagem rumo a sul. O destino era incerto, so o Luis sabia para onde íamos. A paisagem era verde, passamos por vales e serras ate chegarmos a primeira paragem do dia .. a floresta dos cedros .. aqui ha macacos que convivem Abertamente com os visitantes, estão tão habituados a estes que não ha nada que os faca arredar pé.
Passados Alguns minutos e depois do Ricardo alimentar um macaco com meia banana seguimos viagem.
A paisagem ia mudando, ficando cada vez mais árida, até que de repente na saída de uma curva avistamos o Atlas com os picos ainda cheios de neve. O deserto ficava cada Vez mais perto no entanto teríamos ainda de cruzar uma das cordilheiras mais famosa do mundo. 
Curvas E mais curvas, subidas e descidas, sempre com uma vista de perder o fôlego chegamos a Midelt onde iríamos pernoitar.
O Hotel esse era "que chegue” nem bom nem péssimo, o quarto minúsculo e com uma janela que dava Para um muro, enfim faz parte da experiência. A meio da noite acordo e vejo a luz da casa de banho acesa, o Ricardo acordado mas não percebi o que se passava, voltei a dormir. De manha o Ricardo diz que acordou com cheiro a fumo que vinha Da janela que tínhamos deixado aberta, diz que podíamos ter morrido, eu sinceramente não dei conta, talvez do cansaço já acumulado.

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Marrocos 2023 - Midelt-Merzouga

Dia 4 - Saída de Midelt cedo, bem não tão cedo como desejado pois entre tomar o pequeno almoço, equipar e guardar as malas nas montadas, o tempo parece que corre. chegamos ao armazém onde as motas tinham ficado na véspera e deparámo-nos com a saída bloqueada por outras motas que tinham chegado depois de nós na véspera.
O destino de hoje seria o deserto do Sahara, deixamos definitivamente o Atlas para trás, as curvas foram gradualmente dando lugar a retas intermináveis. A vegetação ficava cada vez mais escassa e de vez em quando avistávamos o típico habitante destas paragens .. o Camelo .. neste caso Dromedário pois só teem uma bossa.
Passamos pelo Vale do Ziz um oasis no meio do nada onde abundam as tamareiras, uma paisagem deveras arrebatador. 
Não fomos direto a Merzouga onde tínhamos marcado um kasbah para passar a noite, fizemos um desvio para visitar um ponto turístico muito conhecido por estas bandas ”Gara Medouar”.
Todo contente e ao mesmo tempo nervoso percebo que vou finalmente deixar o asfalto e pisar terra. Apesar de me fazer acompanhar por uma Tenere 700 a experiência que tenho de andar em pistas e pouca ou nenhuma pelo que o meu coração bate a mil.
Não havia muita areia, pelo que a progressão foi relativamente fácil e sem grandes sustos. Chegado ao local havia um miradouro, para lá chegar havia que conquistar uma subida que aparentemente parecia mais complicada do que realmente era. Apesar de pouco confiante, avancei sozinho deixando os meus companheiros de viagem para trás, contente por ter tido coragem de avançar mesmo sem eles. Como disse a subida foi fácil, e a vista, ái a vista, essa era fenomenal, deserto a perder de vista sem qualquer vislumbre de estruturas “man made”.
Depois de apreciar a vista de tirar o fôlego voltei para junto dos meus companheiros e seguimos viagem em direção a Merzouga.
Nos arredores de Merzouga foi onde encontramos o nosso alojamento mesmo no meio do nada (alimentado por um gerador que falhou várias vezes durante a nossa estadia) encostado a primeira duna do Erg Chebbi. O kasbah tinha piscina pelo que aproveitamos para dar um mergulho antes de nos montarmos nos camelos (são dromedários) em direção ao interior do deserto .. bem não foi bem bem ao interior, foi mais ali nas bordas suficientemente longe para deixarmos de ver o alojamento no entanto suficientemente perto para voltarmos a horas do jantar.

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Marrocos - Merzouga-Dadés

Ver o por do Sol no topo de uma duna rodeado de areia por todos os lados foi mágico. Assim que o Sol se pôs montamos nas nossas montadas emprestadas e iniciamos o trajeto de regresso ao kasbah para a janta. Mais uma vez fomos presenteados com umas entradas típicas e uma tajine que estava TOP. 

Dia 5 - Já com o Sol a brilhar, após o pequeno almoço que é sempre bom por estas bandas saltamos para as motos e seguimos viagem novamente em direção ao Atlas para visitar as gargantas do Toldra. Pelo caminho a mesma paisagem desértica que tínhamos apanhado na véspera quando deixamos para trás a cordilheira montanhosa do Atlas até que de repente à nossa frente vislumbramos um vale todo verde, lindo de morrer (Tinghir). Em Marrocos é tudo muito diferente do que estamos habituados na Europa seja pela grandiosidade das paisagens, pela arquitetura (ou a a falta dela como diria o Ricardo), pelas pessoas ou pela cultura.
As gargantas do Toldra são um ponto turístico muito conhecido pelo que estava à pinha o que não faz muito o meu estilo. A paragem foi curta somente o tempo necessário para tirar uma foto às imponentes paredes do desfiladeiro e à linha de água que deambulada por entre as pedras no leito.
Seguimos então viagem sem imprevistos a assinalar para um outro local “instagramentavel”, outra garganta e um troço de estrada deveras interessante.
Uma curva para a esquerda, outra para a direita e assim sucessivamente até chegarmos ao topo do “gorges” de Dadés para uma pequena paragem e contemplação da magnitude da paisagem que nos rodeava.
O hotel para a dormida deste dia ficava bem perto no fundo do “gorge”, um edifício encostado a uma das paredes do desfiladeiro como quase todos os que passamos até ali chegar. Parecia que tinha sido esculpido na rocha, e de certa forma terá uma vez que todos os quartos davam para a frente virados ao riacho que corria no centro do desfiladeiro.
As motos desta vez ficaram na rua, o Ricardo prevenido tinha com ele uma corrente e disponibilizou-se logo para prender todas as motos umas às outras, no entanto nem eu nem o Luís achamos que seria necessário.
Não havia muito para fazer, depois do merecido banho esperamos pela hora de jantar na varanda do quarto a olhar pacificamente para o riacho e a ver os turistas a chegar e a compor o então quase deserto hotel.
Mais uma vez o jantar foi tajine, parece que esta malta por estas bandas não sabe fazer mais nenhum prato. A sala de jantar estava cheia e desta vez tínhamos uma decoração típica, mesas baixas e umas almofadas para nos sentarmos quase no chão.

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Marrocos - Dadés-Marrakech

Dia 6 - Cada dia que passa durmo melhor, estou mais tranquilo e mais cansado. Deixei para trás o stress do dia a dia e abracei a vida de viajante, só tenho pena que não possa continuar para sempre.
Arrancamos depois de um pequeno almoço mau para não usar outro tipo de vocabulário não apropriado neste contexto. O hotel como disse estava cheio, quando chegamos a sala parecia que tinha passado um furacão, não havia nada para comer e a lenta reposição de comida por parte do staff não era suficiente para que conseguisse-mos apanhar qualquer coisa para trincar. Conformados decidimos abandonar a sala e preparar as malas e o equipamento para arrancar.
O dia estava quente e esperava-nos uma tirada de quase 400 km até Marrakech pelo que fizemo-nos a estrada com a maior ligeireza que conseguimos.
As paisagens essas alternavam entre a aridez do deserto e a vegetação dos vales, as retas e as curvas, de quando em vez apareciam grupos de dromedários mesmo à beira da estrada a comerem um qualquer arbusto meio seco.
Fomos parando para beber água e por combustível nas motos. As estações de serviço nesta parte de Marrocos estão em abundância pelo que nunca nos faltou combustível. Houve um pequeno "stress” no dia anterior entre Merzouga e Tinghir quando paramos numa estação de serviço para abastecer as motos que já estavam na reserva (a minha e a do Luis porque a do Ricardo parece um camelo, carrega mais 5lt que as outras) mas não foi possível devido a um problema técnico. O problema da estação de serviço não era falta de combustível, mas sim problemas com a bomba que não queria funcionar devido ao calor. Com o meu mau Francês perguntei qual a distância e a direção da estação de serviço mais próxima, qual foi o meu espanto quando o funcionário me responde - 3 km sempre em frente. Olhei para os meus companheiros e disse - ele disse 3 km espero que não sejam 30. Foram mesmo 3 km, uma estação de serviço novinha com restaurante e tudo onde acabamos por almoçar.
Bem voltando ao dia 6, chegamos a Marrakech, e mais uma vez o nosso alojamento situava-se na periferia um pouco refundido pelo que ainda fizemos uma trilha onde a Versys do Ricardo deu um pequeno salto.

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Marrocos - Marrakech-Rabat

O alojamento era um parque de campismo onde alem de tendas e caravanas se podia alugar um quarto num dos edifícios existentes. Dirigimos ao quarto que era maior que a maior parte dos apartamentos em Lisboa, tinha 3 camas de casal e 2 camas “sigle” duas divisões e uma casa de banho gigante e ficava mesmo ao pé da piscina para onde nos dirigimos de imediato.
Neste alojamento havia cerveja pelo que depois de uns mergulhos e dois dedos de conversa com um grupo de Franceses nos sentamos a degustar uma cerveja Marroquina (Casablanca premium lager) antes do jantar. Hoje para o jantar não nos deram tajine, tivemos direito a escolher algo de um menu muito internacionalizado.

Dia 7 - Mais uma vez para não variar e porque a malta tem de comer lá fomos tomar o pequeno almoço que não desiludio, simples mas bom. Após todo o ritual das manhãs que incluía sempre uma inspeção às montadas bem como a não dispensável lubrificação da corrente seguimos rumo à capital Rabat onde iríamos dormir pela ultima vez em terras Marroquinas.
Antes de sairmos de Marrakech dirigimo-nos ao centro da cidade onde o caos do transito apesar de ser cedo já fervia. O objetivo era visitar a praça central, tirar umas fotos e fugir dali para fora pois a estrada aberta é mais a nossa praia.
O caminho para Rabat foi tranquilo, eram cerca de 330 km que incluíam alguns troços de autoestrada (penso que o Luis devia ter evitado a autoestrada mas não estava em posição de bater o pé) o que fez com que chegássemos ao destino pouco depois da hora do almoço.
Depois de chegar a Rabat percebi em parte o porque da Autoestrada, pois o Luis queria chegar a tempo de visitar o centro de Rabat, a sua Medina e zona portuária que se revelou muito bonita.
Encontrar um lugar para jantar foi um pouco desafiante, o google maps não ajudou muito e todas as opções que selecionávamos ou estavam fechadas ou muito loge para irmos a pé. Acabamos por nos sentar num restaurante onde a luz vermelha predominava no ambiente interior, havia musica ao vivo e várias empregadas na casa dos vinte anos o que nos levou várias vezes a questionar se o negocio que ali se praticava seria só restauração. Não tendo sido o melhor repasto da viagem não posso dizer que comi mal, ninguém se meteu connosco e saímos vivos em direção ao hotel. 

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Marrocos - Marrakesh-Rabat

Dia 8 - Aquele dia onde as emoções são contraditórias, ora triste pelo fim da viagem ora contente por regressar a casa e dar uma beijoka à mulher e filha.
Saímos muito cedo, tão cedo que para tomar o pequeno almoço tivemos de ajudar as meninas do staff a acabar de montar o buffet. Desta vez alem dos produtos tradicionais tínhamos ao nosso dispor uma panóplia de queijos, carnes frias, pães entre outras coisas, tal era a escolha que tivemos dificuldade em nos despachar para sair em direção ao porto de Tanger Med.
No “loby” do hotel já estava o Luis a tentar que abrissem a porta da sala da bagagem onde as motos tinham dormido, sim a sala da bagagem tinha uma porta que dava para a rua principal e foi por ai que as motas entraram no dia anterior e ai ficaram guardadas durante a noite.
O trajeto de Rabat para Tanger Med foi sempre por autoestrada pois tínhamos um horário a cumprir, o nosso barco deveria partir às 10:00 h. Para sair de Marrocos foi bem mais difícil do que para entrar, havia muita gente, carros, motos, camiões que formavam uma grande fila para a passagem no raio X, sim as motos foram radiografadas mas graças a deus não encontraram nada de mal com o coração da Tenere 700.

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Marrocos - Rabat-Portugal

O barco para não variar nunca mais chegava, não chegou ás 10, nem ás 11, apanhamos o barco as 15 horas o que fez com que fizéssemos parte da viagem de regresso a casa de noite.
Estava completamente esganado de fome, na zona onde esperamos pela hora de embarcar não existe nada, nem um café nem um mini mercado, nada, só havia uma casa de banho o que não era mau de todo.
A travessia fez-se sem sobressaltos de maior, do outro lado já no continente Europeu estávamos fartos e decidimos seguir a fundo para Portugal, só paramos mesmo para abastecer as motos. Só queria chegar a casa, tomar um banho e deitar-me na minha cama ao lado da minha querida esposa. Depois de Sevilha já noite cerrada apanhamos vento e mais vento, a minha Tenere não foi feita para andar em Autoestrada e muito menos com vento, tornando a viagem num tormento. Por volta das 22 horas cheguei ao portão de casa e dei por encerrada esta aventura, apesar de estar muito cansado e já não poder olhar para a moto, lá no fundo estava o desejo de voltar ao Reino de Marrocos no ano seguinte. 

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