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24_Finisterra - Dia 1

24_Finisterra - Solo Trip - 01/06 - 05/06 - 5 dias
texto por: Nuno Carvalho

Dia 1 - O dia 1 era para ser já o dia 2. Fiquei retido, refém do trabalho e das obrigações para com os clientes, e por isso não consegui sair no dia previsto, no entanto como se diz em bom Português "mais vale tarde do que nuca" e assim foi.
A viagem até ao Baleal-Peniche, sitio previsto para a pernoita era perto pelo que acabei por não sair muito cedo no dia 01/06. Ao bater das 11:30 da manha fiz-me a estrada em direção á Nacional 2 rumo ao Norte.
Desta vez a viagem é a solo pois o meu camarada Ricardo ficou preso á secretaria, não conseguiu resolver o precisava a tempo de embarcar. Assim sendo e como mais vale aproveitar a oportunidade disse ao meu GPS (Jane) que íamos sozinhos.
Eu e a Jane ainda não estamos muito em sintonia no entanto o dia 1 começou bem e sem sobressaltos, também não era para menos, já fizemos a N2 uma serie de vezes (pelo menos ate Ferreira).
Fomos andando sempre fugindo ás vias rápidas e autoestradas e por volta das 17:30 chegamos em segurança ao Baleal onde nos iríamos encontrar com uns amigos mesmo amigos.
O Nuno fazia anos pelo que as cervejas eram com ele, fomos conversando até o sol se por e assim continuamos ate o outro dia.

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24_Finisterra - Dia 2

Dia 2 - como era de esperar não acordei muito cedo e entre tomar o pequeno almoço e fazer as necessárias despedidas sai eram outra vez 11:30 da manha. O plano do dia era chegar a Vigo o que não iria acontecer dada a hora da partida, assim eu e a Jane optamos por alterar o destino para Viana do Castelo.
Por recomendação do Nuno disse à Jane para irmos pela estrada atlântica (Nazaré - Praia do Pedrogão), sugestão que foi de imediato aceite.
O Junho começou em grande, o dia estava quente, estava quase aquele calor que apetece guardar a moto e andar de carro com o AC ligado, mas isso não era opção e eu e a Jane tínhamos uma missão a cumprir, chegar a Finisterra.
Depois de sairmos da estrada Atlântica seguimos pela Nacional 1 para Norte e foi então que tivemos a primeira discussão (eu e a Jane), eu queria ir por um determinado caminho e ela por outro, já fulo pergunto "mas afinal nesta relação quem é que manda?". A Jane lá se acalmou e chegamos a um entendimento para seguir viagem.
Andamos e andamos, sempre por estrada Nacional no entanto em Espinho entramos na Autoestrada para passar pelo Porto apesar da Jane se opor e teimar em me mandar continuar na Nacional. Enfim se fosse na conversa dela ainda a esta hora não tinha chegado a Viana.
Em Viana o parque de campismo escolhido era TOP, acabei de montar a tenda mesmo antes do bar fechar, assim ainda consegui beber uma "canha" .. perdão imperial que ainda estamos em Portugal.
Depois de matar a sede e de tomar um banho fui (sozinho pois já não podia mais com a Jane) caminhar para a praia e ver o por do sol.

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24_Finisterra - Dia 3

Dia 3 - dormi razoavelmente bem apesar das galinhas da tenda ao lado terem feito um pouco de barulho.
Depois de tudo arrumado e empacotado na t7 (yamaha tenere 700) arrancamos em direção ao pais dos "nuestros hermanos".
A Jane que ainda estava amuada comigo desde a véspera não quis ler o percurso que eu tinha feito. Depois de varias tentativas eu disse "ok .. não queres assim tudo de uma vez vamos aos poucos" e marquei rota para Caminha.
De Caminha seguimos para Vila Nova de Cerveira e sempre para Norte em direção ao nosso destino.
Em Vigo tivemos mais uma discussão e andamos perdidos ate que mais uma vez tomei as rédeas da situação e já farto descartei o track que tanto suor e lágrimas me tinha custado e fiz um novo direto para Finisterra saltando por cima do trajeto pelo Parque Nacional Marítimo-terrestre das Ilhas Atlânticas da Galiza.
Chegados a Finisterra ... Finish ... não há mais nada, só agua, assim sendo e como a t7 não sabe nadar voltamos para trás em direção a Santiago de Compostela.
Eu, teimoso, em vez de seguir as indicações da Jane fui experimentando uns caminhos estreitos mais ao menos paralelos ao indicado. Era ver a Jane a deitar fumo " a calcular, a calcular..." era só o que ela dizia.
Chegados a Santiago nada de camping “As Cancelas”, pensei logo "grande banhada esta", afinal era só shopping As Cancelas, campo futebol As Cancelas e nada de camping, mas, tendo fé (mais para mais estávamos em Santiago) e com um pouco de paciência para interpretar as indicações da Jane lá chegamos.
Depois das tarefas normais já aqui descritas, dirigi-me ao restaurante do parque para almoçar e jantar ou seja fazer um dois em um já que não tínhamos parado para almoçar.

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24_Finisterra - Dia 4

Dia 4 -Dormi mal, estacionei mal a tenda e fiquei em declive, burro, bem feita para a próxima presta mais atenção disse a Jane (não disse nada afinal de contas a Jane é um GPS, fica aqui o esclarecimento para os mais distraídos).
Na noite anterior fiz um novo track pois tudo o que já tinha feito caiu por terra quando fiquei a saber que tinha de chegar um dia mais cedo, sim não bastou sair um dia mais tarde como também tinha de voltar um dia mais cedo...enfim como se diz “mais vale 5 dias do que nenhum” ... não não diz mas é verdade ... eheh.
Sair um dia mais tarde foi chato, mas voltar um dia mais cedo é bom, pois é por uma boa causa, afinal não é todos os dias que a filha vai jogar a “final four” da taça nacional de basket feminino sub14.
Desta vez pensei, não vou chatear a Jane, vou ser bem mandado e seguir á risca as indicações sem nuca as questionar, a ver se conseguimos cumprir o track.
Após uma paragem para agua e xixi resolvi ver onde estava em relação á rota traçada e não é que já estávamos outra vez fora, lá estava outra vez a Jane a inventar caminhos.
As estradas ate ali tinham sido impecáveis, com paisagens lindas de morrer, sem transito e sem atravessar grandes povoados, agora, fico sem saber se foram as estradas que eu escolhi ou a Jane.
Mais uma vez e para atalhar caminho que as horas não param e não queria chegar muito tarde ao camping fiz um novo track e assim seguimos viagem.
Acreditam que é mais difícil encontrar gasolina em Espanha do que em Marrocos. A cerca de 100 km do destino de hoje, já na reserva pedi ajuda à Jane para encontrar um posto de abastecimento o que ela prontamente fez no entanto chegado ao local assinalado demos com um cenário de um filme de zombies, o posto devia já estar fechado à mais de uma década, sendo que a única solução era seguir para o próximo que curiosamente estava nas mesmas condições. Já em desespero tive de recorrer ao Google maps (não digam nada à Jane) onde prontamente percebi que havia uma povoação mais a frente com alguns postos assinalados sendo certo que algum deles teria combustível.
 

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24_Finisterra - Dia 5

O camping de hoje fica nos arredores de Salamanca, um espaço agradável e limpinho mas sem REDE DE TELEMOVEL e dado estar bastante lotado não me consigui ligar ao wifi.
Assim sendo e uma vez que não havia nada de interessante para fazer fui para a caminha cedo.

Dia 5 - O dia amanheceu fresco, estavam cerca de 15° C, quando saí da tenda metade dos vizinhos já tinham desaparecido, parece que ainda ha malta mais madrugadora que eu.
Depois do habitual arrumado das tralhas e depois de comer o resto do jantar como pequeno almoço meti-me ao caminho rumo a Sul.
O objetivo era seguir sempre por estradas secundarias, o mais remotas possíveis de forma a evitar transito e grandes Cidades. Ao escolhermos este tipo de via como rota temos sempre como bonus vistas espetaculares, curvas e as mais adoráveis mini povoações.
Assim foi o dia de hoje todos os 745 km, claro que com algumas poucas excepções à regra.
No traçado de hoje as longas retas típicas do Sul de Espanha eram de repente interrompidas por escaladas vertiginosas de arribas onde "habitam" as estradas de outrora agora esquecidas.


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Ao usarmos as novas vias, mais rápidas mais largas, vias que furam montes de lado a lado e pontes que atravessam vales como se eles não existissem deixamos de observar a paisagem, esquecemos os pequenos povoados que continuam a existir mas que perderam grande parte da agitação que outrora tiveram quando só havia uma estrada, aquela estrada.
Com uns escaldantes 34° C devo confessar que percorrer 745 km sempre fora das vias rápidas foi um pouco penoso mas sempre que a paisagem mudava ou que passava numa pequena aldeia tudo ficava bem e parecia que recarregava a pilha.
Esta viagem fui atacado por insetos em mais do que uma ocasião mas hoje foi dia do tal o tal que todos temem ... a abelha/vespa ... tinha a manga do casaco ligeiramente desapertada para ventilar e lá foi ela para dentro da manga. Ferrou-me imediatamente no braço, parei o mais rápido que pude tirei o casaco e já não a vi mas vi o ferrão espetado na minha carne .. a magana ... a sorte e que não faço grande reação mas o que é certo é que doí na mesma ... enfim faz parte.
Era para ter ficado na zona de Badajoz mas como não tinha rota para o dia seguinte e a minha excelenticima esposa iria estar de ferias resolvi ir direto a casa.
Se estivesse acompanhado (a Jane não conta) não teria feito com certeza no entanto uma das vantagens de viajar sozinho é poder tomar as decisões sem ter de consultar ninguém.

Em resumo a experiência de ir sozinho foi boa, talvez se tivesse sido mais tempo se tornasse um pouco monótono no entanto se surgir uma próxima oportunidade não a porei de parte.
Camping, se for para fazer uma viagem "low budget" recomendo vivamente. Todos os parques por onde passei estavam bem limpos e até tinham papel higiénico e sabonete para as mãos, a água quente não era doseada nem paga. Se optarem por passar num supermercado antes de ir para o parque e fizerem as refeições em andamento ou quando chegarem ao camping, fica realmente em conta.

texto por: Nuno Carvalho

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